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Qual o sentido da vida?

Olá caríssimos irmãos e irmãs,
Ao lado das grandes questões da humanidade “De onde vim?” e “Para onde vou?”, o terceiro maior questionamento feito pelos seres humanos é “Por que vim?, “Por que estou aqui?” ou, “Qual o sentido da vida?”.
Esses dias eu conversava com uma amiga sobre isso: “Qual o sentido da vida?”
Seria muita pretensão da minha parte, vermezinho que sou, de inteligência tão rasa para tal empreitada, querer lançar luzes sobre essa grande dúvida existencial que, praticamente todo ser humano fez um dia. Mas é importante que a gente busque encontrar tal resposta, até para que possamos dar um sentido para nossa própria existência.
Muito de nós nos questionamos: “Para que eu nasci? Qual a graça em viver? Para nascer, sofrer, crescer, sofrer, trabalhar muito, sofrer e morrer?”
Não encontrando um sentido para viver, nos deprimimos, nos amarguramos... e nos sentimos infelizes.
Por mais que estudemos, não há um consenso de uma resposta científica para esta dúvida existencial, para a busca de sentido. É praticamente impossível encontrar um sentido para a vida nos livros, na ciência... só se aprende vivendo. É por meio dos nossos erros, dores e quedas que adquirimos a experiência e dela tiramos sentido.
Para a busca de sentido, podemos partir de algumas premissas... e a primeira delas é que nascemos para ser felizes. Para nós, na grande maioria das vezes, e num conceito meio míope, a felicidade está ligada à ausência de sofrimento, dor ou tribulação. Então, condicionamos nossa felicidade na busca do prazer e na rejeição daquilo que nos causa qualquer dissabor.
A busca do prazer, então uma falsa felicidade, está sempre voltada ao material, ao externo ou àquilo que é carnal em nós. E isso é frustrante e incompleto, porque a necessidade de sentido na vida do ser humano é espiritual, extrapolando nossas necessidades materiais e os prazeres carnais.
Partindo disso, Santo Agostinho escreveu que o ser humano é um “ser desejante”, ou seja, traz em si um vazio infinito, uma sensação de incompletude, que não pode ser preenchida com coisas finitas, e o vazio infinito no homem só poderia ser preenchido com algo infinito. Então, o tamanho do vazio infinito do homem tem o tamanho exato de Deus.
Ainda segundo Santo Agostinho: a criatura tende para o criador! Agostinho nomeia Deus como o “obscuro objeto de nossos desejos”!
Continuando... Encontrar um sentido na vida é o que nos fará felizes. E esse sentido, segundo Santo Agostinho, nasce e vive em Deus.
Não que deixaremos de ter dores, frustrações e tribulações, mas isso fará com que sintamo-nos úteis e que estamos construindo algo bom.
Podemos, todavia, elencar diversos modos de dotar a vida de sentido. A fé é, então, um desses “remédios” contra a ausência de sentido à vida.
Partindo da ideia agostiniana de que o sentido da vida está em Deus e se tomamos como verdade o que está escrito no versículo 8 do capítulo 4 da primeira carta de São João que “Deus é Amor”, então, o grande sentido da vida está no Amor.
Tiramos daí, então, que uma vida sem Amor é vazia de sentido. O grande sentido da vida reside no amor; em dar e receber amor.
Nós existimos “do” amor, “no” amor e “para” o amor. O ser humano foi feito para amar!
Continuando a falar de fé... ela nos faz ver a vida como um dom de Deus. E como escreve São Paulo na primeira carta aos Coríntios, em seu capítulo 12, nossos dons são para proveito comum não para vanglória ou engrandecimento próprio. Dons, segundo Paulo, são para estar a serviço dos irmãos...
Então, se minha vida é um dom de Deus e se os dons são para proveito comum, se dom é para servir, o “gastar-se” de minha vida não deve ser para mim, mas para as pessoas e para Deus.
Então, o sentido de minha está em:
  • ser útil para os outros...
  • ser remédio nas dores do outro...
  • construir algo belo (família... filhos... uma obra social... deixar um legado bacana...)...
  • levar paz às pessoas...
  • construir pontes entre os irmãos...
  • possibilitar que outros encontrem sentido e possam viver com verdadeira felicidade a aventura do existir.
É por meio das oportunidades diárias que vou descobrindo o propósito, o sentido de minha existência. É um construir...
Se é um construir... o significado da minha vida é dependente das minhas escolhas. Ser quem você realmente é, ser autêntico, já é um bom começo.
Não há um sentido amplo, geral, mas um sentido específico para cada um de nós, único, que vivemos de maneira pessoal. As minhas escolhas influenciam, desta maneira, positiva ou negativamente, em dar um sentido à minha existência.
Precisamos, então, buscar caminhos que nos façam encontrar sentido.
Finalizando com uma alegoria ou com uma metáfora...
O que determina a vida no ser humano é sua atividade cerebral. Caso não haja atividade cerebral é decretada sua morte.
Pois bem... se partirmos de uma visão reducionista, por uma perspectiva bioquímica e fisiológica do corpo humano, o sentido da vida está em, agindo todos os membros em harmonia, fornecer um suprimento inesgotável de nutrientes e oxigênio para o cérebro, afim de que ele permaneça em atividade e comunique vida para todos.
Então, os pés devem levar o corpo ao local onde haja alimento disponível... as mãos levarão estes alimentos até a boca, que mastigará e deglutirá... internamente os demais órgãos processarão estes alimentos e extrairão os nutrientes necessários, excretando o que restou...
Todos eles trabalham, em constante atividade, harmonicamente, em função do fornecimento de nutrientes para os demais membros do corpo e, especialmente, para o cérebro.
Ainda no capítulo 12 da carta aos Coríntios, São Paulo escreve sobre sermos membros de um corpo cuja cabeça é Cristo. E cada um desses membros tem um papel específico.
Tomando a alegoria citada e o texto de Paulo aos Coríntios, o propósito do corpo, ou o seu “sentido”, é fazer com que seus membros funcionem em harmonia, vivendo para que a cabeça, que é Cristo seja exaltada.
Preciso descobrir o meu lugar no corpo, cuja cabeça é Cristo, e não buscar minha própria honra, mas ciente da minha condição de membro, dá-la à Cabeça.
Se, na Igreja, corpo de Cristo, me sinto fazendo aquilo a que fui chamado isso me faz feliz. E dá sentido à minha existência.
O sentido de minha existência, então, é glorificar a Deus, em Cristo, que nos amou primeiro.
Salve Maria! Graça e Paz!

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